FOTOGRAFIA
Chico Nogueira vence concurso fotográfico com imagem do litoral alagoano
Registro feito em Maragogi garantiu ao repórter o 1º lugar na premiação do Instituto da Visão
O repórter cinematográfico alagoano Francisco Nogueira, o Chico Nogueira, conquistou o primeiro lugar no 1º Concurso Fotográfico do Instituto da Visão, que teve como tema “O que os olhos veem, o coração sente”. A imagem vencedora está entre as 20 selecionadas para a exposição instalada no hall do instituto, no Farol, em Maceió, aberta gratuitamente ao público de 5 a 16 de outubro.
A fotografia foi registrada durante uma viagem a São Bento, região de Maragogi, no litoral de Alagoas. Chico costuma acordar cedo e caminhar pela orla para fotografar, principalmente nos horários de pouco movimento. No dia do registro vencedor, a maré estava baixa e havia pescadores e catadores de marisco no local.
“A maré estava bem baixa e eu digo: olha, aqui dá uma fotografia boa. Tirei algumas fotografias e essa realmente me chamou muita atenção”, contou.
Ao rever as imagens em casa, percebeu que aquela tinha um diferencial. Mostrou o registro a um amigo que conhece seu trabalho e foi incentivado a inscrevê-lo no concurso. A foto passou pela seleção dos 20 finalistas e foi escolhida em primeiro lugar pela comissão julgadora.
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“Ela foi eleita em primeiro lugar por todo um conjunto de elementos que ela tem: enquadramento, leitura, movimento. Mesmo sendo uma fotografia, ela tem movimento”, explicou o fotógrafo.
O concurso convidou fotógrafos profissionais e amadores de Alagoas, e as imagens selecionadas tratam de temas como emoções, cultura, natureza e inclusão. A comissão julgadora reuniu Josbeth Correia Macário, o Beto Macário, mestre em Sociedade, Tecnologia e Políticas Públicas; Ailton Cruz, fotojornalista e presidente da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de Alagoas (Arfoc-AL); Elvira Ribeiro, sócia-diretora do Instituto da Visão; e o oftalmologista Vitor Leão de Carvalho.
“Ser júri de concurso é um desafio diferente. É você entrar em contato com o olhar mais pessoal e intransferível da fotografia, com o universo particular de cada um dos fotógrafos que participaram, enviando seu material e confiando na iniciativa do Instituto da Visão”, diz Beto Macário.
“Toda exposição de fotografia é importante, até porque é o momento de mostrar seu trabalho de maneira diferenciada. Poder fazer parte de uma seleção e seu trabalho ser agraciado já é muito importante. Sempre falei que a fotografia é uma terapia para a humanidade”, afirma Ailton Cruz.
PAIXÃO PELA FOTOGRAFIA COMEÇOU NA INFÂNCIA
Natural de Feira Grande, no Agreste de Alagoas, Chico conta que o interesse pela fotografia surgiu ainda na infância. Na época, porém, ter acesso a uma câmera não era simples. Ele começou com a do irmão, que morava em São Paulo e levava o equipamento nas férias. As fotos eram feitas em filme, o que exigia atenção redobrada.
“Você tinha que acertar de primeira, porque quando ia revelar, pagava a revelação mesmo com a foto não prestando. Hoje você tira muitas fotos e escolhe a melhor, mas naquela época você tinha que acertar a fotografia lá de primeira”, relembrou.
A paixão acompanhou Chico até o jornalismo. A oportunidade surgiu por meio do jornalista e repórter cinematográfico Falcon Barros, da Organização Arnon de Mello, que era seu vizinho em Jacarecica e sabia do interesse dele pela fotografia. Falcon o convidou para trabalhar como auxiliar em uma produção da Gazeta, e a experiência o levou a integrar o universo do jornalismo.
FOTOGRAFIA TAMBÉM VIROU MEMÓRIA DO JORNALISMO
Ao longo da carreira, além das imagens usadas nas reportagens, Chico passou a registrar os bastidores das produções, momentos que normalmente não chegavam ao público. Guardou esse material e hoje mantém um arquivo com mais de 8 mil fotografias do período.
“Muita coisa que a gente via na reportagem ficava só nos olhos da gente. Não tinha imagem, não tinha nada. Eu fazia aquilo, guardava. Até hoje eu tenho um arquivo de mais de 8 mil fotos guardadas dessa época”, afirmou.
Chico também acumulou outros reconhecimentos ligados ao jornalismo, à fotografia e à produção audiovisual. O prêmio do Instituto da Visão é o 13º de sua trajetória e tem significado especial, por ser o primeiro em um concurso de fotografia. Para ele, representa a coroação de um trabalho construído ao longo de décadas.
“Essa foto representa uma coroação de um trabalho que já vem sendo feito há bastante tempo. A fotografia entra na minha vida desde muito pequeno.”
Depois de tantos anos registrando histórias pelo jornalismo, o repórter cinematográfico vê agora seu olhar fotográfico reconhecido em uma competição dedicada exclusivamente à fotografia.
“É um novo momento da minha carreira, da minha vida. Eu sempre fotografei, mas nunca concorri a um prêmio de fotografia. Fui levado ao primeiro lugar e é muito, muito gratificante.”
* Sob supervisão da Editoria