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Preços de material escolar têm variação de até 7.066%, aponta pesquisa

Pesquisa mostra ainda que outros produtos como lápis apresentaram variação de 5.380%, custando entre R$ 0,25 e R$ 13,70

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Procon orienta ao consumidor que faça pesquisa de preço antes de comprar
Procon orienta ao consumidor que faça pesquisa de preço antes de comprar | Foto: Felipe Nyland

Pesquisa divulgada nessa quarta-feira (7), pelo Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor de Alagoas (Procon), revela que o preço de material escolar vendido em papelarias de Maceió registra variação de até 7.066%.

De acordo com o levantamento, feito entre os dias 5 e 6 deste mês, em estabelecimentos do Centro e shoppings da capital, itens como apontador - comum na lista exigida pelas escolas - tem valores que vão de R$ 0,30 a R$ 21,50.

A pesquisa mostra ainda que outros produtos como lápis apresentaram variação de 5.380%, custando entre R$ 0,25 e R$ 13,70. Já as mochilas mostram oscilação de preço de 1.889,9%, com valores que vão de R$ 29,90 a R$ 595,00 - uma variação absoluta de R$ 565,10.

De acordo com Daniel Sampaio, diretor-presidente do Procon-AL, a organização prévia e a pesquisa de preços são essenciais para prevenir transtornos no futuro. “Em razão da correria típica deste período do ano, muitos pais e estudantes acabam não observando informações importantes e, consequentemente, exageram nas compras", ressalta.

"Isso resulta em reclamações posteriores que poderiam ser evitadas com mais atenção no momento da aquisição. O Procon-AL está à disposição para orientar os consumidores e garantir que seus direitos sejam respeitados”, afirmou.

Ele orienta que na hora de comprar o material escolar, o consumidor deve pesquisar preços, planejar as aquisições e conferir se a lista exigida pela escola está de acordo com a lei. "Também é recomendável reaproveitar materiais, guardar comprovantes e procurar os órgãos de defesa do consumidor em caso de irregularidades", sugere.

Pesquisa recente do Instituto Locomotiva, em parceria com a empresa QuestionPro, revela que oito em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar costumam reaproveitar o material do ano letivo anterior.

Baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo analisou 1.500 pessoas em todo o país, variando de acordo com fatores como gênero, idade, escolaridade, classe social e região.

Segundo a pesquisa, ainda que haja o reaproveitamento, a intenção de compra segue elevada. Nove em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar afirmam que irão às compras para este ano letivo, principalmente de itens básicos, como uniforme e livros didáticos.

Outro dado que chama atenção no levantamento é a avaliação da lista de material escolar enviada pelas escolas. Para 56% dos pais, a lista é considerada adequada, enquanto 42% avaliam como excessiva.

Essa é a opinião da secretária Márcia Ferreira, que por uma questão financeira, opta por reaproveitar material de anos anteriores. Ela comenta sobre a quantidade de objetos que não costumam ser utilizados, mas são exigidos anualmente pela escola de sua filha.

"Sempre foi uma discussão entre os pais. Porque a gente via que a gente mandava isso tudo e não se utilizava isso tudo. Já tem uns dois, três anos que pedem material de artes, inclusive com livros, que nunca foram utilizados. Os livros vão para o lixo porque não podem ser mais passados para outra pessoa e não foram utilizados, os livros estão novinhos. Então, realmente sim, tem muito material que se pede, que não se utiliza, que já abate da lista do ano seguinte. Enfim, tem que entender que pai e mãe trabalham para conseguir comprar o material de seus filhos", diz.

As análises também demonstram que cerca de 88% dos brasileiros que vão às compras afirmam que os gastos afetam o orçamento familiar e 84% avaliam que o preço influencia outros setores, como alimentação, lazer ou pagamento de contas.

O impacto é sentido por todas as classes, mas é mais significativo entre as famílias de menor renda. O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, explica como um mesmo gasto obrigatório pesa de forma diferente.

"Muitas vezes, na baixa renda, não sobra dinheiro para o material escolar supérfluo, mesmo nos casos em que eles recebem algum incentivo dos governos municipais e estaduais para a compra desses itens de aprendizado. Na classe A e B, o material escolar aparece como uma indulgência, uma forma de agradar as crianças e um incentivo ao estudo", explica.

Entre as classes A e B, a percepção de impacto da compra de material escolar no orçamento é de 32%. Já para as famílias das classes D e E, o número salta para 52%.

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