INVESTIGADO PELA POLÍCIA
Presidente do São Paulo é aconselhado a pedir impeachment
Polícia Civil investiga saques de R$ 11 milhões ligados a Júlio Casares nas contas do clube; aliados sugerem renúncia


Aliados do presidente Julio Casares aconselharam o dirigente a renunciar ao cargo após os recentes escândalos envolvendo seu mandato no São Paulo, que se encerra no fim de 2026.
Em reunião, será discutido o processo que pode levar à votação do pedido de impeachment do presidente, protocolado por membros do Conselho Deliberativo.
Julio Casares teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025. As movimentações do presidente do São Paulo estão sendo investigadas pela Polícia Civil (PC).
Os dados constam em relatórios de análise financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Governo Federal. O que chamou a atenção foi a forma como esses valores foram depositados.
Os rendimentos de Casares referentes ao salário pago pelo São Paulo representariam apenas 19,3% de toda a movimentação identificada na conta, o equivalente a R$ 617 mil. O restante diz respeito a depósitos em dinheiro realizados de forma fracionada e em valores menores.
Segundo o Coaf, esse tipo de operação é classificado como “smurfing”, prática utilizada para tentar burlar os mecanismos de monitoramento financeiro.
Há registros de até 12 depósitos feitos em um único dia, além de operações no valor de R$ 49 mil, justamente abaixo do limite de R$ 50 mil que gera comunicação automática ao órgão de controle.
Além da apuração sobre o recebimento de cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro na conta de Julio Casares entre janeiro de 2023 e maio de 2025, a investigação aponta ainda que, no período entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, foram sacados R$ 11 milhões em espécie das contas do São Paulo, distribuídos em 35 operações.
O São Paulo informou que mantém contabilidade e registros formais para o pagamento de todas as despesas operacionais.
O clube afirmou ainda que toda a movimentação financeira é informada à Receita Federal e que não há saques sem registro ou sem a correta contabilização da origem dos gastos, sempre acompanhados da documentação fiscal correspondente.
