Acordo
Trump nega que EUA vão repassar US$ 300 bi ao Irã
Memorando assinado nesta semana prevê plano de recuperação do país islâmico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou ontem que o país não vai desembolsar US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã após a guerra. A declaração foi feita na rede social Truth Social, um dia depois da divulgação do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã.
“Não houve nenhum pagamento de US$ 300 bilhões dos EUA ao Irã. Isso é notícia falsa! Para os EUA, tudo o que importa é o sucesso, a queda dos preços do petróleo e a vitória. Vejam o mercado de ações. Propaganda democrata em ação”, escreveu Trump.
Apesar da declaração do presidente norte-americano, o memorando de entendimento divulgado na quarta-feira (17) prevê a elaboração de um plano de reconstrução para o Irã com orçamento mínimo de US$ 300 bilhões.
De acordo com o item 6 do documento, os Estados Unidos se comprometeram, em conjunto com parceiros regionais, a criar “um plano definitivo e mutuamente acordado” para a reconstrução e o desenvolvimento econômico da República Islâmica do Irã.
O texto estabelece que esse mecanismo só será implementado 60 dias após a assinatura inicial do memorando. Também prevê que os EUA concedam as licenças, isenções e permissões necessárias para viabilizar as transações financeiras relacionadas ao plano.
Antes mesmo da divulgação dos 14 pontos do memorando, já circulavam informações sobre a possibilidade de os Estados Unidos participarem do financiamento da reconstrução iraniana. Trump, no entanto, vinha negando qualquer tipo de fundo para essa finalidade.
Na segunda-feira (15), o republicano havia classificado as informações como “fake news” em uma publicação na Truth Social. Na ocasião, ele afirmou que o Irã havia concordado em nunca desenvolver uma arma nuclear e negou a existência de qualquer pagamento norte-americano ao país.
O memorando é considerado um primeiro passo para a construção de um acordo de paz mais amplo entre Estados Unidos e Irã. A previsão é de que o documento seja formalmente assinado nesta sexta-feira (19/6), na Suíça. Após a assinatura, os dois países terão mais 60 dias de negociações para tentar chegar a um acordo definitivo.
POSIÇÃO DIFERENTE
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou ontem que autorizou o governo iraniano a avançar com o acordo de paz firmado com os Estados Unidos, apesar de não concordar com a proposta durante as negociações.
Em publicação nas redes sociais, Khamenei declarou que tinha uma posição diferente sobre o memorando de entendimento assinado entre os dois países, mas decidiu autorizar a decisão após garantias apresentadas pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e pelos integrantes do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
“Em princípio, eu tinha uma opinião diferente, mas, diante do compromisso assumido pelo presidente e pelos membros do Conselho para preservar os direitos da nação iraniana e da frente de resistência, concedi a permissão”, escreveu.
A manifestação foi a primeira do líder supremo desde a formalização do acordo entre Washington e Teerã, concluído nessa quarta-feira (17/6) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian.
ORMUZ
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM, na silga em inglês) oficializou ontem a retirada do bloqueio naval no Mar Arábico contra navios ligados a portos do Irã.
“As forças americanas não estão impedindo o trânsito de embarcações para ou a partir dos portos iranianos. Todos os esforços de aplicação do bloqueio militar dos EUA foram encerrados”, diz trecho do comunicado.
O bloqueio foi imposto pelos EUA em 13 de abril, contra navios que tivessem destino ou origem em portos iranianos, em retaliação ao fechamento do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
O último balanço do bloqueio americano divulgado pelo CENTCOM dá conta que a Marinha dos EUA atacou nove embarcações que não cumpriram as ordens, redirecionaram 135 navios e permitiram a passagem de outros 42.