Produção
Carne premium de Alagoas ganha escala regional com cooperativa e uso de IA
Boi de Engenho amplia produção e já comercializa carne premium em quatro mercados nordestinos
A produção de carnes que buscam reduzir a emissão de carbono durante o processo produtivo tem avançado em Alagoas e já ganha espaço em outros estados nordestinos. A cooperativa Boi de Engenho ampliou sua presença e hoje conta com associados em quatro estados, além de utilizar Inteligência Artificial no processo de seleção de animais para a produção de cortes premium.
Formada em 2022, a cooperativa surgiu da necessidade de ampliar a produção e fortalecer a pecuária de corte no estado. A Boi de Engenho funciona desde 2016 e reunia 12 fazendas administradas por cinco famílias de Alagoas para a criação da raça europeia Angus e a implementação de protocolos para reduzir a emissão de carbono nas propriedades.
O diretor administrativo-financeiro da cooperativa, Filipe Tenório, disse ao Movimento Econômico que o grupo já conta com 22 cooperados, com fazendas localizadas em Alagoas, Bahia, Pernambuco e Maranhão.
“Temos recebido também gado de fornecedores que não são cooperados, localizados no estado de Sergipe, e hoje nos consideramos uma cooperativa de produção de carne de qualidade do Nordeste”, disse.
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A cooperativa ampliou para outros estados uma pecuária que consiste em oferecer boas pastagens aos animais, com manejo baseado na rotação do gado em piquetes — técnica que favorece o desenvolvimento das pastagens e a conservação do solo.
“Esse processo resulta em uma pecuária de baixa emissão de carbono. Há estudos que comprovam que essa técnica, criada pelo francês Voisin, consegue sequestrar o carbono da atmosfera”, explicou Tenório.
Entre as técnicas utilizadas estão a não utilização de arreios ou outros materiais nos animais, o fornecimento de água potável somente no cocho e uma alimentação composta de pasto com complemento de ração, o que garante que o animal chegue jovem ao abate, assegurando a qualidade da carne.
A Boi de Engenho também utiliza Inteligência Artificial para a seleção e classificação dos animais. “A Brazil Beef Quality nos concedeu o certificado e hoje utilizamos essa tecnologia, baseada na classificação de carcaças nos padrões americano e australiano”, explicou Filipe.
CARNE PREMIUM GANHA MERCADO NORDESTINO
A transição de empresa alagoana para cooperativa regional ocorreu após a conquista da certificação emitida pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI), que autorizou a comercialização em todo o Brasil. O certificado só foi possível após a indústria alcançar garantias de segurança alimentar e procedência dos animais, fortalecendo a relação de proteção dos consumidores.